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A bailarina
Esta semana, conversando com um novo amigo, entendi que mutação cômica da natureza, seria um bom termo pra quem faz rir enquanto se transporta no tempo. Estávamos falando de uma paixão arrebatadora entre eu e o microfone. Na verdade tinha me apaixonado por outro microfone, ainda na mesma noite. Mas tratando-se de uma paixão não correspondida, desiludida, resolvi expurgar toda a minha dor. Foi amor à primeira vista... Fiz um canto que vinha dos pulmões e que não tinha poros suficientes para sair pela carne. Usei a goela. Não lembro exatamente a música nem o tom. Sei que, enquanto chorava um sorriso, ele pareceu infinito, único, animador... O resultado deste grito foi uma dança em sapatilhas de ponta para uma platéia que jamais ouvirá um balé assim...
Escrito por Juliana Domênica às 21h33
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