Eu quero ser ela...
Acordei com vontade de ir para Paris
Fiz as malas, sem me preocupar se as roupas eram as idéias. Faltaria um casaco ou um sapato fechado...
Coloquei as roupas que tinha, desejei as que ainda ia comprar. Deixei o perfume para a faxineira e levei o cheiro do corpo
Quase pronta para partir e ainda pensava: “Quem vai me esperar no aeroporto e quem vai me levar até lá?”
Tudo já deveria está pensado, afinal a única coisa que realmente me preocupava eram as fotografias.
No corredor, eu a mala e a escada nas mãos da faxineira, disputavam um lugar. Mas eu não queria soltar a minha mala, nem ela a escada. Estávamos apressadas para trabalhar
Queria apenas ser ela e queria apenas que ele, discretamente, como a me paquerar, tirasse as fotos. As imagens daquela partida seriam dele e só dele.
Era pra ele que tava vestida era só pra ele que queria chegar.
Nada de flash era dia e o sol estava lindo. Não sabia de onde ele me fitava. Nem queria ver as revelações. Pousava os meus cabelos para ele fotografar
Fazia tempo que não me vestia assim, que não me sentia assim...Fazia tempo que eu queria ser assim...Linda, talentosa, educada, gentil, generosa
Estava ali, descalça, olhando uma vitrine, paciente esperando a minha hora.
E de tanto querer eu já era ela.
No carro, de vidro fechados, já olhava cansada. A mala seria desfeita. Paris é aqui, como na noite anterior.
Do outro lado ele era negro, branco, alto, olhos azuis cabelos com tranças, ele era grande e esperava por mim, mas eu não podia chegar.
Mala no chão sentada na sala, ainda mais cansada esperava o homem chegar. Taça, medalha, entrevista, premiação. Viagem atrasada...
Vagabundo ou presidente já nem sei quem ela estava a esperar.
Desejei ser o desejo dele e de malas vazias, cama desfeita, corpo casado, adorei ser ela, mas não era ela que ele queria abraçar.
Escrito por Juliana Domênica às 13h43
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